5 de jul de 2012

Não Podemos Agradar a Deus


O “desventurado homem” de Romanos 7:24 estava tentando agradar a Deus com base na velha criação, em que o homem está morto em pecado. O resultado foi um fracasso total. Por quê?
Se o homem foi crucificado com Cristo por causa do pecado, como pode esse homem agradar a Deus? Se estamos mortos para o pecado, da mesma forma estamos mortos para agradar a Deus. Não percebemos que a morte que nos liberta da escravidão do pecado também nos liberta da lei. No momento em que pretendemos por nós mesmos agradar a Deus, estamos nos colocando debaixo da lei - uma esfera onde a graça não opera. A graça pressupõe que Deus faz algo para nós; a lei pressupõe que fazemos algo para Deus. Libertação da lei não significa que estamos isentos de fazer a vontade de Deus, mas, de agora em diante, Outro deve fazê-la em nós e por meio de nós (A saber, Jesus Cristo o Senhor). Deus sabia que não poderíamos guardar Sua lei, mas o problema é que nós não sabemos e precisamos que isso fique provado a nós sem sobra de duvidas: somos irremediavelmente fracos. “Sobreveio a lei para que avultasse a ofensa” (Rm.5:20).
Por fim vemos e confessamos: “sou um pecador e nada posso fazer para agradar a Deus”. Quando formos convencidos de que não podemos guardar a lei de Deus nem agradá-Lo, então a lei cumpriu seu propósito. Ela foi nosso aio para levar-nos a Cristo a fim de que Ele a guardasse em nós. Louvado seja Deus! Ele é o doador da lei no trono e é o cumpridor da lei em meu coração. Ele deu a lei e Ele mesmo a cumpre. Enquanto tentamos fazer algo, Ele nada pode fazer. É por causa de nossa tentativa que falhamos vez após outra. Deus quer mostrar-nos que nada podemos fazer, e até que isso seja plenamente reconhecido, nossas decepções e desilusões nunca cessarão. Todos nós precisamos chegar ao ponto onde diremos: “Senhor, nada vou fazer por Ti quanto à minha salvação nem quanto à minha santificação, mas confio em Ti para fazeres tudo em mim”.
Romanos 5 revela o homem “em Adão”; Romanos 6 revela-o “em Cristo”; Romanos 7 revela-o “na carne”, e Romanos 8 revela-o “no Espírito”. Uma vez que aceitamos a revelação de Romanos 5 a respeito de nossa condição natural, receberemos tranquilamente a verdade a respeito da provisão de Deus na graça, apresentada em Romanos 6. Reconhecemos que estamos mortos para o pecado, e imediatamente começamos a ter a intenção de agradar a Deus; assim, para nosso total espanto, encontramos-nos em Romanos 7. Em nosso esforço para agradar a Deus colocamo-nos “na carne”, e nessa esfera há somente derrota. O modo de escapar é mostrado em Romanos 8 - isto é, “no Espírito”. Assim que voltamos à base natural, tudo o que temos por natureza “em Adão” é visto em nossa experiência; mas se vivemos “no Espírito” tudo o que é verdade “em Cristo” se torna eficaz em nós. Quando virmos a total corrupção de nossa vida natural, então a repudiaremos totalmente, considerando-nos não apenas motos para o pecado, mas mortos também para a lei, isto é, mortos para agradar a Deus por esforço próprio. Quando nos recusamos a viver “na carne” - isto é, quando não só repudiamos o pecado, mas também deixarmos de pensar que em nós mesmos podemos agradar a Deus - então, e só então, saberemos o que significa viver “no Espírito”; e se vivermos “no Espírito” verificaremos que os feitos da cruz são uma realidade em nossa experiência.

A Palavra de Deus “Substancializada” Pela Fé

Os dois maiores fatos da história são: todos os nossos pecados foram tratados pelo sangue e nós mesmos fomos tratados pela cruz. Mas e se após aceitar esses fatos eu perder a calma? O teste crucial está justamente aí! Vamos crer nos fatos que vemos e sentimos da esfera natural que são claros aos nossos olhos, ou nos fatos que não vemos da esfera espiritual, que não são vistos nem comprovados? “Fé é a substancialização de coisas esperadas”. Por meio de nossos sentidos substancializamos fatos na esfera natural. Por exemplo, pela audição, substancializo música. Se me falta à faculdade do ouvir então eu perco o desfrute da música, mas a realidade da música não é afetada por minha capacidade ou incapacidade para ouvi-la. Uma pessoa cega não pode distinguir as cores; para ela é como se as cores não
existissem. Elas existem, mas o fato de o cego não as ver não afeta a existência delas simplesmente por faltar a ele a faculdade necessária para distingui-las.
A diferença que fazemos entre promessa e fatos não é suficiente. As promessas de Deus devem ser reveladas por Seu Espírito e devem ser aplicadas, e nós nos apropriarmos delas; mas fatos são fatos, quer creiamos neles ou não. Se não cremos nos fatos da cruz, eles ainda permanecem tão reais como sempre, apenas não tem valor para nós. A fé não torna essas coisas reais - elas são reais, mas a fé as substancializa e assim as torna reais m nossa experiência. Temos de considerar tudo o que contradiz a verdade da Palavra de Deus como mentiras do diabo; e ele não apenas diz mentiras, ele também faz coisas mentirosas. Ele não somente nos engana com afirmações mentirosas, mas também com sinais, sentimentos e experiências mentirosas. Assim que aceitamos nossa morte com Cristo como um fato, o inimigo tentará provar que não estamos mortos, mas muito vivos, e procurará demonstrar isso pela nossa experiência. Se recorrermos aos nossos sentidos para descobrir a verdade, acharemos que as mentiras do inimigo são verdades em nossa experiência; mas se nos recusarmos a crer em qualquer coisa que contradiga a Palavra de Deus e firmarmo-nos nela somente pela fé, veremos que as mentiras do inimigo desaparecerão, e nossa experiência corresponderá à Palavra de Deus.
Em Romanos 6:6, vemos como Deus lida com toda a questão do pecado - nosso “velho homem”, “o corpo do pecado” e “pecado”. Nosso “velho homem” foi crucificado com Ele e, porque o nosso velho homem está morto, o “corpo do pecado” foi destruído, afim de que não sirvamos mais o pecado como escravos. A maneira de Deus cuidar da situação não foi lidando diretamente com o “corpo do pecado” ou com o “pecado”, mas apenas com nosso “velho homem”; e desde que ele morreu o “corpo do pecado” é agora de nenhum efeito. (A palavra “destruído” no original significa tornado inútil, sem ação)
Precisamos lembrar-nos de que, ao resolver a questão do pecado, Deus não lidou com o pecado diretamente, mas com o pecador; portanto a Bíblia fala de libertação do pecado em vez de vitória sobre ele. Os termos “libertados do pecado” e “mortos para  pecado” mostram que o pecado ainda está ai, mas somos libertados dele. A libertação é tão completa que João escreve: “Qualquer que é nascido de Deus não comete pecado (...) não pode pecar”(1Jo.3:9 vrc). João não nos diz que o pecado não está na história daquele que nascido Deus, e sim que não está em sua natureza. O que está em Cristo não pode pecar; o que está em Adão certamente peca e sempre pecará. Todavia, tudo depende da substancialização.
“Andamos por fé e não pelo que vemos” (2Co.5:7). Uma ilustração disso é o Fato, a Fé e a Experiência caminhando sobre o muro. O Fato caminha firmemente, não se voltando nem para a direita nem para a esquerda e nunca olhando para trás. A Fé o segue, e tudo vai bem enquanto ela conserva seus olhos fixos no Fato. Mas assim que ela se volta em direção à Experiência para ver como ela está cainhando, perde o equilíbrio e cai do muro, e a coitada da Experiência cai em seguida.
A vida cristã não é uma vida de  vivermos como Cristo ou tentarmos ser iguais a Cristo, nem é Cristo dando-nos o poder para viver uma vida como a Sua. É o próprio Cristo vivendo Sua própria vida por meio de nós; “não mais eu, mas Cristo” (Gl.2:20).

Desfrute do Dia