10 de jul de 2012

O Caminho Estreito


A vida cristã é um caminhar com Cristo e com Seus filhos. E, como todo caminhar, está sujeito a fases boas e outras não tão boas assim, mas tudo está sempre no controle do Amado para O qual um dia entregamos nossa alma. Com o tempo, nessa caminhada, o filho de Deus passa a conhecer mais Senhor, os irmãos e principalmente a si mesmo e, quanto mais próximo fica do Senhor, mas luz recebe e passa a ver coisas que nunca tinha visto antes.
Dentre os marcos da vida cristã, sem dúvida, conhecer a Cristo e conhecer a igreja são deveras os mais importantes, senão os único que perdurarão pela eternidade. Entretanto, muitas vezes, a caminhada cristã passa por sérias crises. São a crises do crescimento, onde Deus nos leva de um patamar de fé para outro. Isso pode parecer maravilho e é, mas também é muito doloso. Durante a adolescência espiritual, não conseguimos entender nosso próprio ser. Começamos a questionar tudo a nossa volta e, não raro, ficamos atônitos, sem respostas e perturbados.
Mas Deus é fiel! A vereda do justo é como a luz da aurora que vai brilhando mais e mais até ser dia perfeito. Com um tempo de caminhada com Cristo, a luz começa a ficar mais firme e assim podemos enxergar com mais precisão o caminho, as armadilhas, as bifurcações e a direção a seguir. Mas quantas pedras há, quantos buracos, quantos obstáculos... Como é fácil cair e se desviar. Como precisamos desesperadamente do Senhor! Não há outra forma de caminhar, senão agarrados Àquele que conhece o caminho e que é o próprio Caminho.
Abaixo listo seis passos experimentados por mim e por irmãos próximos. Creio que também esses passados estão sendo trilhados milhares de santos espalhados pelo globo, os quais sofrem e vivem nas aflições do crescimento na vida Divina.
Querido leitor, que Deus te abençoe e te guarde nessa caminhada, mantendo teus olhos firmes Nele, Autor e Consumador da nossa fé, Jesus Cristo! Amém.
  • O MAL ESTAR INTERIOR: a primeira grande crise do crescimento que o cristão experimenta é um grande mal estar interior. O cristão sente um profundo incômodo em seu interior. O que lê não “fecha” com o que vê e pratica. A vida cristã tão alegre passa a se tornar monótona e fria. Perde a vontade de ler a Bíblia e orar. A comunhão com os irmãos passa a ser cansativa, assim como as reuniões. Para evitar ser rechaçado pelo meio, “finge” que está tudo bem, mas no íntimo, no seu espírito, vê que há um profundo descontentamento e um gemido interior. Ao tentar ter comunhão com outros irmãos é mal interpretado e acusado de estar na mente, precisando negar a vida da alma e voltar para o espírito. Nesse ponto, alguns sacrificam sua consciência e continuam “empurrando” sua vida como antes. Outros, entretanto, continuam sua busca e questionam a Deus, apelando por respostas, até ganharem luz.
  • DESPERTANDO: o cristão passa a orar ao Senhor e buscar a resposta e então passa a ver vários desvios no seu meio. Algumas camadas de escamas passam a cair de seus olhos e percebe então que a benção de Deus se afastou do lugar em que estava, restando apenas uma religião morta e sem sentido. Tornando-se insuportável viver em meio à hipocrisia e a exigências sem fim, o cristão se vê aflito, só e sem solução. Nessa fase alguns santos entram em crise, questionando sua fé, a Bíblia e até Deus: “como Deus pode deixar que tudo chegasse até onde chegou...Deus me enganou....” Outros cristãos passam a culpar os irmãos e os líderes, como se eles próprios não tivessem aberto seus corações para o engano, sem dar atenção à Palavra e aos gemidos do Espírito Santo. O sofrimento do cristão será tão mais intenso quanto menos intimidade houvera desfrutado do Senhor, o Consolador. Alguns cristãos nessa fase, ao se afastarem dos irmãos também se afastam de Deus e, infelizmente, voltam para suas ocupações. Outros continuam buscando em Deus a saída para sua crise e uma direção para sua vida, mas todos passam, cedo ou tarde, por uma desorientação geral inicial.
  • DESORIENTAÇÃO GERAL: como a pessoa achava que estava no único lugar possível onde Deus pudesse dispensar sua bênção, saindo dessa posição, o cristão parece sentir-se sem nenhum referencial possível. De repente vê-se sem saber orar, ler a Bíblia, contatar outros cristãos ou mesmo se relacionar com seus parentes e colegas de trabalho. Percebe então que não sabe mais se relacionar com as pessoas. Não sabe mais viver. Episódios de ansiedade e depressão não são raros. Deus terá de levar essa pessoa a uma renovação de sua mente até que voluntariamente considere tudo o que aprendeu como perda a fim de ganhar somente a Cristo. Aos poucos, o cristão vai entendendo que havia trocado a pessoa do Senhor por muitos itens, até espirituais, como doutrinas, práticas, encontros sociais com demais cristãos e com o conforto que uma boa religião pode conferir. O cristão chora e se arrepende. Enojado com sua vida pretérita, o cristão então abre mão de tudo para voltar ao Senhor.
  • BUSCANDO SOMENTE DO SENHOR: ao chegar nessa fase, o cristão passa a se tornar uma pessoa mais simples e volta à prática das primeiras obras. Deixa de lado seus vários livros e busca apenas na Bíblia sua base para ter comunhão com Seu Amado Senhor e nessas comunhões passa a ter revelações na Palavra que jamais pensou existir. Começa a conhecer detalhes do Senhor que nunca vira antes. Passa também a ser tolerante com seus irmãos e misericordioso com o próximo. O cristão passa a ser uma pessoa mais humana e mais acessível aos seus próximos. Aos poucos vai voltando para um viver simples na presença do Senhor amado. Suas orações são mais curtas, simples e afetivas. Agora não tem mais nada a esconder dos homens e de Deus. Seus relacionamentos passam a ser mais sinceros e seu viver mais tranqüilo e singelo. Mas a lembrança dos seus “amados” volta a atordoar sua mente (Rm 9:1-3), o que o leva a buscar soluções para a “vida da igreja”.
  • BUSCANDO A SOLUÇÃO: nessa fase, o cristão sente necessidade de ter comunhão com outros santos, mas sente medo de criar “uma nova igreja” ou “uma nova doutrina” ou ainda que seja mal interpretado pelos seus “antigos” irmãos. Então, começa a questionar qual seria a vontade de Deus para restaurar sua igreja. Onde está afinal a igreja ideal, a igreja verdadeira? Quanto mais questiona e busca respostas, mas confuso fica. As respostas que lhe vêm à mente sempre são o que não se deve praticar, mas não encontra soluções de como se praticar a igreja. Por fim, casando de pesquisar, vê que a igreja é o Corpo de Cristo, formado por todos os filhos de Deus, muitos deles desprezados no passado, por estarem na “religião”. Vê então que a pior religião é a que estava vivendo e, de repente, passa a amar todos os santos, sem exceção. De fato, tal cristão passa a ter a visão do Corpo de Cristo como nunca antes vira. Passa assim a ter um relacionamento simples com os irmãos, estejam onde estiverem, e se “perde” no Corpo, pois agora não faz parte mais de um grupo, mas de uma imensa família da fé. Percebe que pode entrar pela porta das ovelhas, sair e ainda achar pastagem (Jo 10:9). Em seu coração agora cabem “todos seus queridos irmãos”. Passa então a aprender com eles e ser suprido através de sua simplicidade. Após ser alimentado pelo Corpo e com a mente renovada, o Cristão é levado a prosseguir de onde parou.
  • PEREGRINANDO: nesta fase, o Cristão passa a ter comunhão com outros irmãos que saíram dos apriscos e busca trocar experiências e enxergar mais da visão celestial, às vezes auxiliado pela literatura que antes desprezava. Vê então que não estava só. Suas comunhões com os irmãos agora são muito preciosas e Deus passa a se revelar de forma tão simples e pura, como antes. Sem maiores pretensões, o cristão pensa apenas em desfrutar de Cristo, pregar o evangelho, apascentar os cordeiros e aguardar a Pátria Celestial, em paz com Deus e com os homens, como o Senhor lhe ordenara no princípio, sem exigências e sem a lei em forma de ordenanças. O cristão então descobre que não há fórmulas, não há leis, não há orientações humanas, não há o certo ou o errado; há apenas Cristo e Seu Corpo místico e maravilhoso, a igreja e nada mais. Vê então que não precisa ter medo, podendo confiar só na Bíblia e no Espírito que jamais lhe abandonou na jornada e vai continuar ajudando e suprindo como seu Consolador. Na comunhão de casa em casa, nas orações, no partir do pão e na comunhão do ensinamento dos apóstolos (At 2:42; Rm 12; 1 Co 12:12-31; 14:26-40), o cristão se sente de novo em casa e Deus também volta a ter um lar, uma “Betânia” para descansar (Hb 4:11; 11:8-10). Que assim seja!



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