8 de set de 2012

Autoridade Espiritual Genuína - Parte 1


Deus é a fonte de toda a autoridade. Ele detém o poder supremo. Ele é Aquele que está sentado no trono do universo e é Ele quem tem completo controle sobre todas as coisas. Consequentemente, podemos deduzir que qualquer outra autoridade que exista no universo foi estabelecida por Ele ou, pelo menos, só existe com a Sua permissão.
Sem o Seu consentimento, não seria possível a sobrevivência de qualquer outra autoridade.  Entretanto, não importa onde encontremos autoridade neste mundo de hoje (seja ela boa ou má), sabemos que é algo que provém legalmente de Deus. Isto é exatamente o que as Escrituras ensinam. Governos humanos, Forças Armadas, juízes, etc., são instituições que são estabelecidas por Deus para inibir as forças do mal neste mundo (Rom 13:1-7).

O tipo de autoridade que governos e outros administradores terrestres possuem é chamada “Autoridade Delegada.” Como já vimos, Deus é o detentor da autoridade suprema, mas Ele escolheu “delegar” ou “dar” esta autoridade a outros indivíduos que supostamente agirão como Seus representantes. Uma vez que Deus dá esta autoridade, ela então pertence á pessoa á qual foi dada. Embora sejam responsáveis perante Deus pelo uso desta autoridade, ela é deles para ser exercida como lhes aprouver. Na realidade, eles se tornam a autoridade. Autoridades delegadas podem exercer corretamente seu poder ou podem fazer mau uso dele. Podem ser bons governantes que decidem o que é do melhor interesse de Deus e daqueles sobre os quais eles governam, ou podem ser maus e se utilizarem desta autoridade em beneficio próprio e em prejuízo de outros. Independente do modo como a usam, aqueles que estão no poder são autoridades delegadas por Deus.

Mas a autoridade delegada não é o único tipo de autoridade revelada na Bíblia. Existe uma outra variedade de autoridade que nos é apresentada, a qual, embora também se origine em Deus, é bastante diferente. Para esclarecer, creio que este tipo de autoridade pode ser considerado como “Autoridade Transmitida.” Esta autoridade não pertence à pessoa que a está exercendo. Não é algo que lhe é “dado” para usar segundo suas próprias inclinações. Ao invés disto, a autoridade transmitida é exercida simplesmente pela transmissão da autoridade de Deus.

As pessoas envolvidas neste caso são somente vasos, instrumentos através dos quais a autoridade Divina flui. Elas não possuem sua “própria” autoridade, mas apenas estão atendendo às orientações do Altíssimo.  Quando Deus fala a elas referindo-se a outros, então elas falam. Quando Ele conduz as pessoas a tomar determinada atitude, então elas se movem. Mas elas nunca se atribuem esta autoridade. Não importa quão frequentemente elas sejam usadas por Deus para transmitir Sua autoridade, elas nunca se tornam esta autoridade.

Moisés é um exemplo de alguém que exerceu esta autoridade “transmitida” por Deus. Ele não estava guiando os filhos de Israel de acordo com suas próprias idéias ou direções. Ele não estava expressando a si próprio. À medida em que se lê no Antigo Testamento sobre como ele  retirou os Israelitas da escravidão, fica bem claro que ele se movia e falava de acordo com instruções sobrenaturais.  Cada passo dado, cada lei e cada ordem, todo detalhe do tabernáculo, tudo foi executado conforme direção espiritual. Ele não tomou posição ao exercer a autoridade conferida a ele. Ele não estava formulando seus próprios planos, nem tomando suas próprias decisões. Ao contrário, ele apenas permitia que Deus o usasse para transmitir Sua autoridade ao povo. Quando a autoridade de Moisés foi desafiada por Coré e sua gente, ele resumiu sua posição desta forma: “Através disto saberão que o Senhor me enviou para realizar todas estas obras, pois eu não as realizei por minha própria vontade” (Num 16:28). 

Nosso Senhor Jesus Cristo foi o supremo exemplo de tal autoridade espiritual transmitida. Ele não veio para fazer Sua própria vontade mas, em vez disso, submeteu-se à vontade do Pai (João 14: 10). Quando Jesus expulsou demônios, Ele revelou a autoridade do Pai. Quando Ele amaldiçoou a figueira, foi a voz do Pai que foi ouvida (Mateus 21: 19). Quando Ele repreendeu o vento e as ondas, foi a autoridade do Pai que foi demonstrada (Lucas 8:24). Cada aspecto do Seu viver era a manifestação do Deus invisível. Mesmo estando qualificado para fazê-lo, Ele nunca exerceu Sua própria autoridade mas, em vez disso, permitiu que Seu Pai fluísse através Dele.


Então nós vemos que há dois diferentes tipos de autoridade presentes no mundo hoje. Uma é terrena, do tipo humana – uma autoridade delegada – que é exercida pelo homem, acatada pelo homem e reconhecida por aqueles que vivem nesta Terra. Esta autoridade é inevitavelmente acompanhada por adereços superficiais que ajudam a raça caída a identificar essas autoridades. Posições, títulos, uniformes e muitas outras manifestações exteriores servem para identificar aqueles que têm autoridade delegada. Este tipo de autoridade está sempre procurando o reconhecimento de outros homens; de fato ela necessita desse reconhecimento para funcionar. É uma autoridade natural e secular que foi planejada por Deus para atrair a natureza caída do homem. É algo que Deus instituiu, que opera de acordo com a moda deste mundo para governar as pessoas do mundo.

A outra espécie de autoridade é a espiritual. É o tipo transmitido. É através desta autoridade que Deus planeja governar Seu povo. Neste tipo de autoridade, a pessoa envolvida é simplesmente um canal através do qual a liderança de Deus flui. Ela não precisa de qualquer título ou honraria para reforçar o que diz.  Ela não está tentando impressionar os outros para que a obedeçam. Sua posição é a de alguém submisso a Deus.  Consequentemente, a palavra de Deus flui dele para os outros. Deste modo, a verdadeira autoridade de Jesus é revelada em Sua Igreja.

O primeiro tipo de autoridade foi ordenado por Deus para governar o mundo; o segundo tipo, espiritual, para governar Seu povo, Sua Igreja. Essa é uma diferença muito importante. Cada uma das autoridades é válida, mas tem sua própria esfera. Infelizmente, os crentes hoje frequentemente confundem esses dois tipos de autoridade. Alguns nem mesmo estão cientes de que exista tal distinção. Consequentemente, muitas vezes tentam usar a autoridade humana para construir a Igreja. Eles tentam, usando métodos humanos, trazer a ordenança Divina para o corpo de Cristo. Entretanto, simplesmente não funcionará. 

CONTINUA...

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